Desenvolvimento de equipe, falar, escutar e estabelecer bom relacionamento com o cliente são características exigidas por empresas do setor. Veja se você está em linha

O estereótipo antigo do profissional de TI remetia a uma pessoa bastante técnica com vocabulário complexo repleto de bits e bytes. Mas esse perfil já não é mais valorizado pelas empresas. Cada vez mais, os talentos são cobrados e incentivados para desenvolver as chamadas soft skills, habilidade relacionadas aos aspectos da personalidade.

Entre as várias qualidades cobiçadas pelas organizações, o talento de TI deve ser comunicativo, dinâmico, criativo, ter perfil empreendedor e visão ampla dos negócios. “A formação do profissional da área é, geralmente, muito técnica. Ele não deve eliminar isso, mas precisa desenvolver o lado comportamento, como desenvolvimento de equipe, falar, escutar e estabelecer bom relacionamento com o cliente”, afirma Ruy Shiozawa, presidente do Great Place to Work (GPTW) Brasil.

O presidente do GPTW constata que a demanda por essas habilidades sempre existiu, mas agora está em destaque porque não basta ter profissionais tecnicamente qualificados, mas engajados e comprometidos.

Dentro do conjunto de soft skills, Shiozawa indica que lidera a demanda pela capacidade de comunicação, além de conseguir transmitir mensagens e ouvi-las. “É preciso estimular, mas ao mesmo tempo, manter os ouvidos abertos para capturar ideias e opiniões das pessoas”, indica. Outra habilidade crítica é a de inspirar.

O desenvolvimento da equipe é igualmente fundamental, segundo ele. Tanto é que na pesquisa do GPTW dasMelhores Empresas em Tecnologia da Informação, realizada em parceria com a IT Mídia, grande parte dos talentos relata que o principal fator de retenção é a oportunidade de desenvolvimento e crescimento. Isso não significa, no entanto, prover cursos e mais cursos. “O feedback, por exemplo, é ferramenta vital nesse processo”, comenta. O feedback promove retornos constantes e garante que as partes entrem em acordo para mudanças de comportamentos.

Outro item que desponta na lista de habilidades é a de celebrar conquistas. O profissional tem de comemorar cada vitória, por menor que seja, de formas mais variadas, com um happy hour, por exemplo. “Práticas simples, e muitas vezes sem custo, podem ser executadas”, ensina. Como exemplo, ele cita um líder de TI de uma empresa brasileira que passou a entrar por uma porta diferente da qual usualmente entrava para cumprimentar toda a sua equipe antes de iniciar o trabalho. “Uma ação dessa gera grande impacto nas organizações e é positiva para os negócios”, diz.

Shiozawa relata que atualmente a maioria das universidades foca no ensinamento das competências técnicas, mas o jovem profissional que ingressa no mercado de trabalho começa a ser exigido pelas suas capacidades comportamentais. Não só ele, mas o executivo C-Level também. Ainda que ele não tenha essa bagagem, é preciso adquirir certas qualidades. “Não há segredo, é preciso desenvolvê-las no dia a dia e buscar treinamentos”, pontua. 

A BandTec, faculdade de tecnologia superior, de olho no futuro, tem programas para desenvolvimento de soft skills, como é o caso do Programa H. “Seu objetivo é desenvolver encontros com os alunos de todos os cursos para vivenciar valores humanos e relacionais necessários para o melhor desenvolvimento da carreira”, explica o diretor acadêmico da instituição, Maurício Pimentel. 
Criado em 2012, até o momento, o programa envolveu aproximadamente 500 alunos do primeiro ao quinto semestre de todos os cursos de graduação, de acordo com Luiz Claudio Bido, Coordenador do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico (NAP) da Instituição.

Os alunos podem, por meio de palestras, oficinas e vivências, discutir como se relacionar com os demais e como desenvolver autoconfiança, empatia, respeito e colaboração, além de debater as dificuldades da alteridade. Mais de 30 encontros já foram realizados. Os professores da BandTec, com base nos resultados desses encontros, adequam as atividades em sala de aula para ajudar os alunos a se desenvolverem. 

Os alunos do primeiro semestre, por exemplo, trabalham o autoconhecimento. Fazem testes de personalidade, discutem como atuar em seu grupo de trabalho no Escritório de Projetos e também como lidar com grupos profissionais. Em seguida, discutem como a história de vida pessoal pode ser um grande auxiliar nas tomadas de decisão.

No segundo semestre, trabalha-se a alteridade. No terceiro, a liderança e a motivação, no quarto, aresponsabilidade social e no quinto a carreira e a formação continuada. No final do curso, os encontros totalizam 20 horas de coaching de carreira oferecidas aos alunos da BandTec durante sua formação acadêmica e profissional.

Pimentel alerta para o fato de que resiliência e confiança são características-chave exigidas pelas empresas de TI e que estarão em destaque nos próximos anos. “Além disso, o mercado pede criatividade e inovação. Essas não são habilidades comportamentais, mas que podem ser incentivadas por meio de capacidades como questionar corretamente e coragem de propor ideias”, conta Pimentel.
Fonte: IT Forum